Em 26 de junho de 1974, um pacote de chicletes foi o primeiro produto do mundo escaneado em um caixa de supermercado. Aquele código de barras linear, o EAN/UPC, rodou por mais de 50 anos praticamente sem mudanças.
Isso está prestes a mudar. A GS1, entidade internacional que define os padrões de identificação de produtos, estabeleceu 2027 como o horizonte para que o varejo global passe a ler códigos 2D — QR Code GS1 e DataMatrix — nos pontos de venda. É o programa GS1 Sunrise 2027.
Se sua empresa trabalha com estoque, logística, indústria ou varejo, essa mudança não é um detalhe técnico distante. Ela afeta diretamente os equipamentos que você usa todos os dias: impressoras térmicas, leitores e coletores de dados.
O que é o GS1 Sunrise 2027
O Sunrise 2027 é a iniciativa da GS1 para migrar a identificação de produtos do código de barras linear (1D) para o código 2D. Na prática, isso significa substituir gradualmente o EAN-13 que está em quase toda embalagem por um QR Code GS1 ou por um DataMatrix.
A diferença não é só visual. O código 1D armazena basicamente um único dado: o GTIN, o número que identifica o produto. Já o código 2D pode carregar centenas de caracteres — lote, validade, número de série, informações de origem e até um link digital que leva o consumidor direto para a página do produto.
Empresas como Carrefour, Walmart e Procter & Gamble já assinaram publicamente o compromisso de adoção. No Brasil, a GS1 Brasil lidera a orientação para indústria, varejo e integradores de tecnologia.
2027 é a data final ou o começo da transição?
Aqui está um ponto que gera confusão: nada muda magicamente da noite para o dia em 2027. Essa é a data em que se espera que uma massa crítica de sistemas de ponto de venda já esteja apta a ler os dois formatos. A transição real é gradual, e já está em curso.
| Período | O que acontece |
| 2023–2025 | Testes-piloto, educação do mercado e primeiras atualizações de sistema |
| 2025–2026 | Adoção mais ampla; produtos saem de fábrica com código 1D e 2D lado a lado |
| A partir de 2027 | Massa crítica de PDVs aptos a ler código 2D; início da retirada gradual do código 1D isolado |
Ou seja: quem espera o calendário virar para agir corre o risco de ficar correndo atrás quando a exigência já estiver em vigor nas grandes redes.
Código 1D x código 2D: o que muda na prática
A tabela abaixo resume as principais diferenças entre o padrão atual e o novo padrão que está chegando.
| Característica | Código 1D (EAN/UPC) | Código 2D (QR GS1 / DataMatrix) |
| Dado armazenado | Apenas o GTIN (identificação do produto) | GTIN + lote + validade + número de série + link digital |
| Atualização após impressão | Não é possível | Suporta dados variáveis por unidade |
| Leitura | Exige leitor a laser, alinhado à linha do código | Lido por leitor de imagem (imager) ou câmera de smartphone |
| Rastreabilidade | Limitada, sem lote nem série | Rastreamento até o nível de unidade individual |
| Uso pelo consumidor final | Nenhum | Acesso a informações do produto via QR code |
| Aplicações típicas hoje | Varejo em geral, desde 1974 | Já obrigatório em medicamentos e dispositivos médicos no Brasil |
Essa última linha da tabela importa: em setores como saúde, o código 2D (DataMatrix) já não é novidade — a Anvisa exige rastreabilidade por GTIN em medicamentos há anos. O Sunrise 2027 estende essa lógica para o varejo em geral.
Seus equipamentos estão prontos para o código 2D?
Este é o ponto mais prático — e o que mais pega empresas desprevenidas. Boa parte do parque de leitores e impressoras em operação hoje no Brasil não foi projetada para esse tipo de leitura.
O leitor a laser, o modelo mais comum em equipamentos mais antigos, só lê linhas — ou seja, só lê código 1D. Ele simplesmente não reconhece um QR Code ou um DataMatrix. Já o leitor de imagem (imager) consegue ler os dois formatos.
O mesmo vale para impressão. Como o código 2D carrega lote e validade, ele muitas vezes precisa ser impresso no momento de embalar o produto, e não sair pronto de fábrica. Isso exige que a impressora térmica tenha resolução suficiente para imprimir QR Code e DataMatrix com qualidade legível.
Antes de qualquer decisão de compra, vale mapear o parque atual. As soluções de identificação e captura de dados da Ganzer incluem justamente esse tipo de diagnóstico: entender o que já está pronto para 2D e o que vai precisar de substituição.
Como preparar sua empresa com antecedência
A boa notícia é que a transição é gradual, o que dá tempo para planejar sem pressa — desde que o planejamento comece agora, e não em 2027.
Alguns pontos merecem atenção nos próximos meses:
- Verifique se os leitores atuais são a laser (só 1D) ou de imagem (1D e 2D).
- Teste se as impressoras térmicas imprimem QR Code e DataMatrix com nitidez suficiente para leitura confiável.
- Simule o período de transição, em que os dois códigos vão conviver lado a lado na mesma etiqueta.
- Treine a equipe de loja, depósito e centro de distribuição para o novo formato antes que ele vire padrão obrigatório.
- Priorize a troca de equipamento nas áreas de maior volume de leitura, onde o impacto de uma falha é maior.
Empresas que atuam com locação de equipamentos têm uma vantagem natural aqui: dá para escalonar a atualização do parque sem precisar de um investimento único e pesado. A locação e venda de coletores de dados da Ganzer foi pensada exatamente para operações que precisam de flexibilidade nesse tipo de transição tecnológica.
Perguntas frequentes sobre o GS1 Sunrise 2027
O código de barras tradicional vai desaparecer em 2027? Não de forma abrupta. A GS1 prevê uma fase de convivência entre o código 1D e o 2D, com retirada gradual do código linear isolado depois que a maioria dos sistemas de leitura já estiver adaptada.
Minha empresa é pequena, isso me afeta mesmo assim? Sim, principalmente se você fornece para redes de varejo maiores. Grandes redes já sinalizam que vão exigir leitura 2D de seus fornecedores, independentemente do porte da empresa fornecedora.
Preciso trocar todos os equipamentos agora? Não necessariamente todos de uma vez. O recomendado é mapear o parque, priorizar os pontos de maior volume de leitura e planejar a substituição de forma escalonada até 2027.
Onde entra o RFID nessa transição? RFID e código 2D resolvem problemas diferentes e podem conviver na mesma operação: o código 2D carrega informação por unidade impressa, enquanto o RFID permite leitura à distância e em lote, sem contato visual.
Não deixe a adequação para a última hora
O código de barras não vai sumir da noite para o dia — mas o que era uma linha guardando um único número está dando lugar a um código capaz de contar toda a história do produto, do lote de fabricação até a validade.
Quem começa a se preparar agora chega em 2027 com o parque de equipamentos pronto, a equipe treinada e sem correria de última hora. Quem espera o prazo chegar corre o risco de perder espaço de gôndola justamente para os concorrentes que já se anteciparam.
Se você quer entender o que precisa mudar na sua operação — impressoras, leitores ou coletores — fale com um especialista da Ganzer e faça esse diagnóstico com quem já trabalha com identificação automática há mais de 25 anos.



